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Home office amplia dores físicas
Crescimento do trabalho remoto expõe riscos ergonômicos e reforça a necessidade de prevenção à saúde ocupacional
O avanço do trabalho remoto no Brasil tem ampliado a flexibilidade e reduzido o tempo de deslocamento de milhões de profissionais, mas também vem acompanhado de um aumento significativo de queixas relacionadas à saúde musculoesquelética. Levantamento do SESI mostra que 51% dos trabalhadores em home office relatam dores nas costas, enquanto 45% apontam desconforto no pescoço e 38% nos ombros — indicadores associados, sobretudo, a longos períodos sentados e a ambientes de trabalho inadequados.
Para o ortopedista Dr. Lúcio Gusmão, especialista em dores crônicas e agudas e CEO da Rede Cade, a recorrência desses sintomas pode levar à cronificação do quadro. “Dores frequentes tendem a evoluir quando não há correção da postura ou ajustes no ambiente de trabalho, transformando-se em problemas persistentes que impactam produtividade e qualidade de vida”, afirma.
Segundo o especialista, a prevenção começa pela ergonomia básica: cadeira ajustada, pés apoiados no chão, monitor na altura dos olhos e braços bem posicionados durante a digitação. Pausas regulares, a cada cerca de 60 minutos, para alongamentos leves e movimentação do corpo também são recomendadas para melhorar a circulação e reduzir a tensão muscular. “Quando o desconforto persiste, é fundamental buscar avaliação médica precoce, especialmente com fisioterapeutas e ortopedistas”, ressalta.
Dados do IBGE indicam que, em 2024, cerca de 6,6 milhões de pessoas trabalhavam em home office no país, o equivalente a 7,9% da população ocupada. A tendência, segundo o instituto, é de expansão desse modelo nos próximos anos, o que reforça a necessidade de ambientes domésticos adaptados para evitar doenças ocupacionais.
De acordo com Gusmão, dores musculares recorrentes podem evoluir para condições mais complexas, como lombalgia, dores cervicais, tendinites, bursites e até quadros de compressão nervosa, a exemplo de hérnia de disco e síndrome do túnel do carpo. “Esses problemas estão diretamente ligados à sobrecarga física e à má postura. Ignorar os sinais do corpo aumenta o risco de afastamentos e queda de desempenho”, afirma.
Além da ergonomia, o especialista destaca a importância de mudanças na rotina, redução da sobrecarga muscular, atenção à alimentação — com foco em alimentos de ação anti-inflamatória — e uso de medicamentos apenas sob orientação médica. Para empresas e profissionais, o desafio passa a ser conciliar a consolidação do trabalho remoto com políticas e práticas que preservem a saúde física no longo prazo.
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