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O impacto da saúde preditiva nos negócios em 2026

Ao iniciarmos 2026, percebo uma evolução crucial na forma como encaramos a tomada de decisão orientada por dados na saúde

Ao iniciarmos 2026, percebo uma evolução crucial na forma como encaramos a tomada de decisão orientada por dados na saúde. Se, em anos anteriores, os indicadores guiavam prioritariamente finanças e operações, hoje eles começam a iluminar o ativo mais valioso de qualquer organização: a saúde das pessoas. O ano que chegou é, antes de tudo, uma oportunidade para irmos além das planilhas e pensarmos no propósito humano que os dados exibem.

Um exemplo claro dessa transformação é a maturidade da tecnologia dos wearables. Dispositivos que antes eram restritos a atletas de elite hoje democratizaram o acesso a métricas vitais, consolidando um mercado que, segundo o Gartner, deve movimentar US$150 bilhões globalmente este ano. Indivíduos e instituições agora possuem uma visibilidade inédita sobre níveis de energia, qualidade do sono e recuperação. Não estamos mais no campo das deduções sobre o cansaço; agora, as métricas mostram quando o corpo pede por uma pausa.

Essa mudança de paradigma é urgente e economicamente vital. O custo do burnout nas organizações é um ralo financeiro que, segundo estudo publicado no American Journal of Preventive Medicine, pode variar entre US$4 mil e US$21 mil por funcionário ao ano. O cuidado, portanto, não apenas pode, mas precisa ser feito antes mesmo da doença.

Neste cenário, a tecnologia deixa de ser apenas uma ferramenta de registro para ser uma aliada preditiva. Estudos publicados na Nature Digital Medicine indicam que a análise de biomarcadores via Inteligência Artificial (IA) já alcança 85% de precisão na detecção precoce de estresse crônico. Na prática, isso significa que temos a capacidade de intervir antes que o esgotamento aconteça. Não se trata apenas de evitar perdas, mas de gerar valor: dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que para cada US$1 investido em bem-estar, o retorno em produtividade chega a US$4.

A grande inovação para 2026, portanto, não reside apenas na sofisticação tecnológica, mas na capacidade de utilizar essa inteligência de forma mais humana. O futuro da saúde é, obrigatoriamente, preditivo e personalizado. Equipes que souberem ler esses sinais estarão melhor posicionadas para sustentar a alta performance a longo prazo, transformando dados frios em qualidade de vida e decisões mais lúcidas.

A tendência que deve moldar o nosso ano não é apenas sobre novas ferramentas de IA, mas sobre a sustentabilidade humana. O verdadeiro avanço está em também integrar o bem-estar à estratégia do negócio, construindo um futuro mais leve, saudável e próspero para todos.

Por Alceu Alves, vice-presidente da MV e especialista em inovação voltada à gestão de saúde

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